PORTO AMÉLIA «» PEMBA  - IMAGENS 5

Clique aqui e volte para a página principal da Home PEMBA

Clique aqui e volte para Imagens 1 da Home PEMBA

Clique aqui e volte para Imagens 2 da Home PEMBA

Clique aqui e volte para Imagens 3 da home PEMBA

Clique aqui e volte para Imagens 4 da Home PEMBA

Clique aqui e siga para Imagens 6 da Home PEMBA

Clique aqui e siga para Imagens 7 da Home PEMBA

Acesse aqui o BAR DA TININHA...Mas não se esqueça que deverá, antes de mais, ao inscrever-se, identificar-se por completo em seu PERFIL na Yahoo!. Só assim sua inscrição será aceite.

Clique aqui e vá para o Recanto de Poesia de Glória de Sant'Anna.

Clique aqui e encontre três páginas com as mais diversas e excelentes fotografias sobre Cabo Delgado e Pemba de autoria de Miguel Mansilha.

Um pouco sobre a história de Pemba:

Em Maio de 1897 a Companhia Colonial determinou ao  capitão José Augusto Soares da Costa Cabral para proceder à implantação de um povoado na baía de Pemba – assim as populações nomeavam a região.

Passaria a ser a capital dos territórios da companhia majestática.

Fotografia efetuada nos anos 60, quando Porto Amélia pertencia à colónia portuguesa de Moçambique. Retrata, do mirante do "Polo Sul", a parte baixa da então cidade de Porto Amélia, hoje Pemba.Lendo-se a documentação daquele tempo, o primeiro estudo de construção de um colonato na Baía havia sido já planejada pelo antigo governador colonial, em 1858. Entretanto, o comércio que se fazia nas margens da Baía se desenvolveu imenso, com as populações locais e com as caravanas que vinham do interior. Em 1897 a companhia majestática construiu um Posto Militar perto da povoação "Muenha Amada" que se localizava a noroeste do hoje Bairro do Paquitequete.

Essa região era apelidada "Pampira".  E com esse nome  passou  a chamar-se a povoação junto do Posto Militar abrangendo também a "Muenha Amada".

Quando o povoado começou a ser traçado, fala-se, na História de Cabo Delgado e Niassa, do Dr Medeiros, que "Começaram logo a seguir os pedidos de arrendamento e de aforamento de talhões.

Proibiam-se as construções que não fossem de alvenaria e que não obedecessem a certas regras.

A Companhia  extorquiu as terras aos habitantes do local, classificando-as de 1ª Classe para efeitos de concessão. Gerou-se com isso uma onda de especulação em torno dos terrenos, por intermédio a maioria das  vezes dos empregados da Companhia, tanto em Pemba como no interior, e foram de tamanha ordem que o Estado Português, ao recuperar a administração em 1929 tinha, entre outras, uma pretensa concessão em Pemba que compreendia quase toda a povoação, incluindo o cemitério público".

"Abertos os primeiros estabelecimentos comerciais, foi criado em 13 de Outubro de 1899 um posto fiscal.Fotografia recente de Pemba (1988). Enviada por Rui Santos-Coimbra. Pela Portaria do Ministério português da Marinha e Ultramar, de 22 de Novembro de 1899, e proposta do Conselho de Administração da Companhia, Pampira passou a denominar-se Porto Amélia, em homenagem à última rainha de Portugal".

A Companhia majestática

O distrito militar de Cabo Delgado, na administração colonial, foi encerrado em 1891.  O território compreendido entre o rio Rovuma e o rio Lúrio foi então concedido por Lisboa a uma Companhia majestática que passou a ter poderes soberanos sobre a região.

A Companhia tinha  exclusividade da coleta do imposto, o monopólio dos direitos alfandegários, da  transação de terras, o direito de subconcessionar e de exercer atividades comerciais e industriais, agrícolas e mineiras.

Os funcionários coloniais, crioulos e mestiços na sua maior parte, passaram a constituir o grosso dos funcionários médios e inferiores da Companhia e também a servir no seu corpo de milícias.

Foi assim um capitão ao serviço da Companhia, José Augusto Soares da Costa Cabral, quem foi encarregado de implantar a povoação na baía de Pemba que está na origem da atual cidade capital da província de Cabo Delgado, no Moçambique independente. (Transcrição da net do documento "Os 100 anos de Pemba-Moçambique")

® Mais História...  Parque Nacional das Quirimbas, no Norte de Moçambique:
O
Parque Nacional das Quirimbas (PNQ) foi declarado no  dia 6 de Junho de 2002, pelo Conselho de Ministros. Ele tem a singularidade de ter sido estabelecido em resposta a solicitações das comunidades locais e outros intervenientes. Portanto, o Parque deve ser entendido como uma iniciativa "de baixo para cima", uma tentativa das bases para resolver um sem número de problemas que afetam a Província de Cabo Delgado em geral e a área do PNQ em particular... (Leia o restante do texto em: Moçambique - Porto Amélia - PEMBA - Parque Nacional das Quirimbas).

Brasil ® Arquivo Nacional ¬ Uma imensa fonte de pesquisa !

Como foi a Expansão Portuguesa em Moçambique

 

Fabiano Villaça dos Santos

 

Os portugueses chegaram a Moçambique em 1498 e a administração colonial foi instalada três anos mais tarde, ficando o território dependente do Estado da Índia até 1752. Em 1569, Moçambique foi elevada à condição de capitania-geral, englobando a região de Sofala e a do Monomotapa. A ocupação de Moçambique se iniciou em 1507, contudo, segundo o historiador Luiz Felipe de Alencastro, a penetração portuguesa em Moçambique foi muito frágil, sobretudo se comparada à conquista e à ocupação de Angola, na costa ocidental da África.

Durante boa parte da colonização portuguesa, Moçambique desempenhou a função de entreposto comercial e de ponto de apoio para os navios com destino ao Oriente. Com relação ao desenvolvimento interno da colonização, de acordo com Luiz Felipe de Alencastro, os portugueses praticamente não interferiram no processo produtivo da região, além de não conseguirem reorientar em benefício próprio os circuitos de comércio local, o que corrobora a posição estratégica de Moçambique na carreira da Índia. As trocas permaneceram voltadas para o Norte da África e para o Leste, em direção ao Golfo Pérsico, onde regiões como Omã adquiriam grande quantidade de escravos.

Para Charles Boxer, a penetração portuguesa no território de Moçambique também foi dificultada, até o século XVIII, pela insalubridade verificada nas regiões costeiras da África e da Ásia. A correspondência oficial entre Lisboa e Goa, de 1650 a 1750, relata a preocupação das autoridades com o escasso contingente de portugueses reinóis no Oriente e com as altas taxas de mortalidade na região, incluindo Moçambique como parte do circuito indiano. Tal situação parece não ter se alterado depois de 1750, pois, em 1799, o vice-rei conde de Resende sugeriu o envio anual de vadios e voluntários do Rio de Janeiro para povoar diferentes regiões africanas, como Moçambique.

Outras dificuldades enfrentadas pela administração metropolitana em Moçambique, bastante comuns nos domínios coloniais portugueses, relacionavam-se à ação dos funcionários régios. Charles Boxer atentou para as constantes queixas presentes na correspondência oficial e extra-oficial, sobre o descuido na aplicação da justiça em lugares distantes, como Moçambique, Macau e Goa. Problema recorrente, levou a Rainha dona Maria I a publicar um alvará, em 14 de abril de 1785, com o objetivo de coibir abusos cometidos por governadores e ouvidores da capitania de Moçambique, tais como a cobrança indevida de donativos e a realização de transações comerciais particulares com rendimentos da Real Fazenda. O alvará previa penalidades que iam da perda do cargo ao pagamento de indenizações pelos culpados de tais abusos.

Quanto ao tráfico de escravos, a região do Congo-Angola supriu grande parte da demanda de mão-de-obra durante o período colonial. O fluxo de escravos de Moçambique, em especial para o Rio de Janeiro, foi pequeno e irregular até o início do século XIX, havendo, no entanto, referências a iniciativas de negociantes desta praça, engajados no circuito de Moçambique, Sena e Goa, para instalar uma companhia de comércio de gêneros e escravos africanos, em 1744. Algumas décadas antes, em 1719, uma ordem de d. João V enviada ao governador-geral do Estado do Brasil, d. Sancho de Faro e Sousa, determinava uma alteração emergencial na rota do tráfico de escravos do Atlântico para a baía de Lourenço Marques, no sul de Moçambique, em virtude dos ataques de navios holandeses aos portugueses na costa ocidental da África. Essas medidas demonstram que, até o final do século XVIII, o tráfico de escravos da África Oriental ainda não havia se consolidado.

A participação mais efetiva da África Ocidental no fornecimento de escravos para o Rio de Janeiro declinou entre 1795 e 1811, ano em que Manolo Florentino verificou um crescimento da oferta de cativos oriundos de Moçambique. Esse crescimento se explica, em termos mais amplos, pela Abertura dos Portos, em 1808, que favoreceu o aumento do número de expedições para Moçambique a fim de resgatar escravos. Nesse movimento, ganhou destaque o porto de Quilimane. Para o porto de Salvador, outro importante mercado de escravos da colônia, a demanda de escravos permaneceu sendo suprida pela região do Congo-Angola. O porto do Rio de Janeiro, entretanto, não monopolizava o recebimento de africanos de Moçambique. Houve reivindicações de comerciantes do Pará, envolvidos no tráfico de escravos em diferentes regiões africanas, dentre as quais Moçambique, na última década do século XVIII, para obter isenção do pagamento de direitos (impostos) por um certo período de tempo, demonstrando que outros portos coloniais eram abastecidos de cativos da África Oriental.

A regulação do tráfico de escravos, independente da região fornecedora, não escapou às diretrizes reformistas da política colonial portuguesa. Para manter o controle sobre o contingente de cativos transportados de Moçambique e outros mercados africanos, foram organizados os termos de contagem de escravos, elaborados após o recolhimento do imposto sobre os escravos na alfândega, em que se atestava o número de escravos embarcados na África e os que chegavam à América, deduzidos os mortos durante a viajem, que não eram poucos, ou logo após o desembarque no porto de destino. Em 13 de junho de 1802, um termo de contagem de escravos provenientes de Moçambique no navio Ninfa do Mar, por exemplo, acusou a chegada de 227 escravos vivos e 228 mortos, ao porto do Rio de Janeiro.

As autoridades pareciam estar atentas quanto ao cumprimento das medidas de registro dos escravos, como demonstra a referência a uma devassa realizada em 1812,  no bergantim Esgueira, pela morte de numerosos africanos vindos de Moçambique, conforme indicou um ofício expedido ao juiz do crime do Rio de Janeiro. Instruções anteriores de d. Rodrigo de Sousa Coutinho ao vice-rei, conde de Resende, determinavam um rígido controle sobre as rotas dos navios negreiros. Em carta de 12 de dezembro de 1798, o secretário de Estado da Marinha e Ultramar tratou do extravio de escravos quando os navios que os transportavam precisavam fazer baldeação. Para evitar tal prática, d. Rodrigo de Sousa Coutinho recomendou que se fizesse uma lista com o dia da saída, o nome dos mestres das embarcações e o número de escravos transportados.

O tema do tráfico de escravos aparece como o mais recorrente quando se pensa em África, ocidental ou oriental. Moçambique, como outras regiões africanas, a exemplo de Angola e Benguela, também foi local de degredo. Os inóspitos e “hostis” domínios africanos receberam réus da Inconfidência Mineira condenados ao degredo em Moçambique e Angola, como indica a correspondência do vice-rei, conde de Resende, para a Corte, de 29 de abril de 1792, em que se registra também a condenação à pena capital de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Segundo Charles Boxer, no século XIX Moçambique foi afetada pela conjuntura européia das invasões napoleônicas, que motivaram a transferência da Corte portuguesa para a América e a sua longa permanência no Rio de Janeiro. Entre 1805 e 1825, Portugal teria abandonado suas colônias asiáticas e africanas, contexto em que se insere a Independência do Brasil. Ainda de acordo com Charles Boxer, idéias sobre o desenvolvimento de Angola e Moçambique como forma de compensar a separação do Brasil foram cogitadas, mas não ocorreram imediatamente à Independência da colônia americana. Em razão das desordens internas de Portugal, inseridas no período que se abre como o do “vintismo, e porque o tráfico de escravos ainda “absorvia as energias” tanto de Angola como de Moçambique, novas diretrizes da Coroa portuguesa para reformular a exploração do que restou de seu Império colonial não foram produzidas instantaneamente, uma vez que Portugal só reconheceu a Independência do Brasil em 1825.

Para o estudo da África Oriental, os fundos documentais do Arquivo Nacional que apresentam indicações freqüentes sobre Moçambique, especialmente acerca de sua posição estratégica na carreira da Índia e do tráfico negreiro, são: Negócios de Portugal, Secretaria de Estado do Brasil, Relação da Bahia, Ministério do Império, Diversos Códices – SDH, Secretaria de Governo da Capitania do Pará e Polícia da Corte.

Textos e links extraídos do portal do "Arquivo Nacional" pertencente ao Estado Brasileiro
 
® Visite o Arquivo Nacional ¬

Ë História e "estórias" Ë

CHAI - 25/09/1964 - A VERDADE E A HISTÓRIA...!

Alguém escreveu - "Procurar a verdadeira história e espírito africano implica recorrer a toda a herança de conhecimentos que, ao longo dos tempos, foram transmitidos de geração em geração, do mais velho ao mais novo, do narrador ao ouvinte. 
Trata-se da própria tradição oral que, através de cantos, danças, lendas, mitos, contos, provérbios, rituais e enigmas, transmite o próprio conhecimento e a escola da vida. A tradição oral constitui, por isso, todo um património que faz parte de uma cultura viva. E só conhecendo as suas raízes culturais e civilizacionais, é possível a um povo identificar-se como Povo". (
Agradecemos a: http://www.maputohoje.co.mz/cultura/povo-macua.html o texto acima).

Depoimento de Tó Alves em 25 de Setembro de 2003 no "Bar da Tininha da Yahoo":

= http://br.groups.yahoo.com/group/bardatininha/message/4266 =

"Completam-se hoje* às 21:00 de Moçambique (20:00 em Portugal) 39** anos do primeiro ataque (oficial) da Frelimo e sua guerra de libertação do país.

Foi no Chai, a norte de Macomia a escassos 10Kms do rio Messalo.


Tinha 8 anos, estava lá, assim como os meus pais, não morri... nem ninguém morreu de ambos os lados, e lembro-me de quase tudo.

Tudo aquilo se resumiu a 2 rajadas de metralhadora (uma de cada lado).


Demorou 1 ou 2 minutos e depois foi a fuga dos atacantes.


A minha mãe lembra-se que nesse dia à tarde, andou uma pessoa desconhecida ali nas lojas no Chai e com umas ligaduras na perna ou no pé. Andou umas 2 horas a "passear-se" pela localidade. Veio-se a saber mais tarde que essa pessoa desconhecida andou a fazer o reconhecimento da zona.


A data, hoje em dia, é comemorada em Moçambique como Dia das Forças Armadas."

*25 de Setembro de 2003.

**40 neste ano de 2004.

 PUBLICADO PELO "ZAMBEZE" NO DIA 09/09/2004 - Salomão Moyana

NINGUÉM MORREU NO CHAI NO DIA 25/09/1964 !

Ensina-nos a História da Frelimo que no desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional, na noite do dia 25 de Setembro de 1964, foram mortas, pelo menos,  duas pessoas, nomeadamente o Chefe do Posto Administrativo Colonial de Chai e o sentinela que guarnecia a residência do Chefe do Posto.

Alberto Joaquim Chipande, o autor do primeiro tiro dado no Chai naquela noite, tem vindo a afirmar e a reafirmar o que os livros da Frelimo ensinam sobre as consequências do primeiro tiro rumo à libertação.

Porém, hoje, quarenta anos depois, tudo indica que essa história do primeiro tiro não está lá muito bem contada, ou, pelo menos, não parece haver consenso sobre as consequências desse primeiro tiro, a julgar pela recente pesquisa levada a cabo pelo ARPAC (Arquivo de Património Cultural), instituição do Estado subordinada ao Ministério da Cultura.

De acordo com essa pesquisa, baseada em 35 entrevistas a pessoas “idosas e nativas de Chai” durante o ataque dos guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique “nenhuma pessoa foi morta”.

“Uma semana depois do ataque, houve sim, uma morte. Tratou-se do cunhado do Chefe do Posto que,  quando regressava do rio Messalo à busca de água de viatura, caiu numa emboscada” , refere o documento do ARPAC citado pela última edição do jornal “Horizonte”publicado na cidade de Pemba.

Quando esse relatório do ARPAC foi apresentado num seminário em Pemba, no passado dia 31 de Agosto, a reacção de alguns antigos combatentes foi de previsível fúria: “É uma grave ofensa histórica afirmar que no ataque de Chai ninguém morreu no dia 25 de Setembro de 1964. Esse relatório é medíocre e superficial pintado com aparentes cores políticas contemporâneas tendentes a deturpar a verdadeira história do povo moçambicano”.

Dentre as 35 pessoas entrevistadas pelo ARPAC figura o então cozinheiro do Chefe do Posto de Chai, identificado pelo único nome de Amade, o qual afirmou, igualmente, que o seu patrão não morreu naquele ataque.

Independentemente das lacunas que possa ter, a pesquisa do ARPAC tem o mérito de indagar uma “verdade absoluta”, um tabú da nossa História. Ao trazer à ribalta novos dados que questionam a história oficial, o ARPAC está a iniciar uma  longa e penosa jornada ao passado recente, acto esse capaz de levar os moçambicanos mais corajosos a fazer outras e mais profundas indagações sobre muitas inverdades históricas tidas como “verdades absolutas”.

É oportuno que as revelações do ARPAC vieram num período em que se procura reflectir sobre os últimos quarenta anos da nossa História, oportunidade que os cientistas sociais moçambicanos deveriam aproveitar para vasculhar os arquivos coloniais a fim de constatar se no dia 25 de Sdetembro de 1964 teria morrido no Chai o respectivo chefe do Posto. Pensamos que se trata de uma verdade fácil de constatar, uma vez que os portugueses registavam os óbitos dos seus funcionários públicos.

O que não podemos aceitar é passarmos a vida a ensinar factos duvidosos aos nossos filhos para, quarenta anos depois, dizermos que “parece que as coisas não são bem assim”.

Isso é uma pesada responsabilidade académica mas também política de quem, deliberadamente, conta uma “História conveniente” só para aumentar a sua alegada heroicidade.

Factos são factos e não devem ser ficcionados. Factos devem ser recolhidos e contados como factos. Uma coisa é factos, outra coisa é a sua interpretação. Não se deve dizer que alguém morreu quando está vivo. Nem se deve dizer que está vivo quem morreu.

Contar a verdade dos factos não diminui a heroicidade nem mérito de quem fez a luta de libertação nacional. Antes pelo contrário, a verdade engrandece o mérito e a heroicidade dos combatentes.

Por outro lado, devemos saber reagir a novos dados históricos. Não devemos ter, sempre, uma atitude corporativa e clubista de que quem conta uma versão diferente é porque “visa deturpar a história do povo moçambicano”, como se tal História fosse um conjunto de dogmas imutáveis. A História, seja ela do povo moçambicano ou do povo chinês, é uma construção social permanente e nunca uma coisa acabada e fechada, propriedade de um clube dos bem entendidos. A História é propriedade do povo e é o povo que está a dizer que no Chai não morreu ninguém no dia 25 de Setembro de 1964, o que põe em causa a versão “conveniente” que foi difundida ao longo dos últimos quarenta anos.

Qual é o papel e a função daqueles doutores em História que estão no Ministério dos Antigos Combatentes? Arranjar argumentos “científicos”para validar convicções individuais de cada dirigente que conta a “sua história de libertação nacional”? Ou questionar, analisar criticamente e sistematizar os dados históricos factuais sobre o processo de libertação nacional?

Já o livro sobre Uria Simango, baseado em entrevistas de alguns combatentes ainda vivos, constitui uma dura bofetada na cara dos nossos historiadores da libertação nacional, os quais antes deste livro nunca disseram que Uria Simango não foi aquilo que se dizia que tinha sido.

Acreditamos que os novos dados sobre o Chai venham a catalizar um necessário debate público com vista a encontrarmos a verdade sobre a nossa História. Isso é tão necessário quanto urgente para que da longa desinformação passemos à informação correcta aos cidadãos a fim de os capacitar a participar conscientemente no processo público de tomada de decisões.

Esse é o objectivo supremo do sistema democrático!


...E o que se discute a respeito do dia 25/09/1964: http://www.macua.org/chai25092003.htm


Retalhos da mente ou do meu pensamento...!

...Datas que se comemoram mundo afora, salientando a dimensão histórica de heróis ou mitos da guerra e da violência.

Salientaremos algum dia a dimensão histórica das vítimas inocentes  de todas as guerras ?...

Morte, sempre morte, só morte, o silêncio da vida ou a inexplicável apologia do direito à violência que soma e resulta neste conturbado, desequilibrado globo terrestre que temos hoje!

Como ontem ou como sempre, novas, insensíveis, minoritárias, egoístas elites ressurgem "chafurdando" no deleite do poder conseguido ambiciosa, desesperada e despudoradamente num vale-tudo de mentiras,  promessas e imposições que  desprezam, desrespeitam o ser humano, a natureza, a vida... Elites econômicas hipócritas ilhadas em castelos de ostentação, tal qual sanguessugas famintos de coimas e impostos que recheiam, atulham seus bolsos e cofres... Elites burlescas  acoitadas em grotescas castas pseudo-intelectuais, em cômicos feudos pseudo-democráticos de segregação social (similar ou pior que a racial) isolados atrás de grades, fossos, muros, cercas eletrificadas tentando impedir a vinda avassaladora, inevitável de povos-multidões-desesperados-sem-raça  enganados, revoltados, famintos, desiludidos e destruidores !...

Até quando teremos datas de violência e de luto ?...Até quando a hipocrisia do discurso fácil e o apetite do poder embebedarão  mentes e suplantarão o direito de viver ou existir com dignidade em liberdade fraterna, solidária e justa?

Jaime Luis Gabão


ÿVivemos esperando dias melhores...dias que não deixaremos mais para trás...!

© Home Page Pemba e Régua 15/09/2004

ILHA DO IBO - PERDIDA NO MAR E NA HISTÓRIA

Em Porto Amélia raramente se dizia a ilha do IBO; dizia-se, muito simplesmente, o IBO. Foi ao IBO, veio do IBO, vive no IBO...

Naquele falar e falajar do entardecer nas deliciosas varandas coloniais, fui ouvindo história daquela ilha da costa de Moçambique, entre o Lúrio e o Rovuma. O mistério ia, pouco a pouco, aguçando a minha curiosidade. O próprio café do Ibo, que o senhor Ferreira nos servia no «Botão de Rosa», ajudava ao mistério. Era um café delgadinho, acastanhado, de cheiro e sabor muito estranhos. Mas acabamos por gostar dele e precisar dele. Era revigorante e tirava a ideia de deitar em horas de andar a pé. E quem quisesse ler ou escrever pela noite fora, era só tomar um cafézinho do Ibo, depois de jantar. Insónia assegurada.

Quando a curiosidade começou a inquietar-me, não tive outro remédio se não reparti-la com o meu inesquecível companheiro Simões Coelho. O Dr. Manuel Simões Coelho, grande cirurgião e grande pianista, veio a falecer em Portugal, meses depois de ser desmobilizado.

Não foi difícil entusiasmá-lo. Ele também já andava mortinho por conhecer o Ibo. Difícil foi arranjar transporte que nos levasse pela costa acima, até ao ponto da travessia. O jeep do Hospital Militar 338, a que pertencíamos, estava mesmo a calhar, mas a viagem era paisana demais para o podermos usar sem dar nas vistas...

Acabámos por aceitar a oferta de um indiano—um velho Opel sempre a torrar ao sol implacável da Av. Jerónimo Romero. Só depois de aceitarmos, com muitas mesuras de parte a parte, é que soubemos do estado lastimoso do carro. A cor era o menos, mas sempre lhes direi que ia do vermelho alaranjado, nas pregas mais protegidas, ao diospiro podre nas superfícies mais expostas.

Depois de uma revisão que, afinal, só serviu para nos afirmar que era uma temeridade partir, assim, com duas senhoras e duas crianças, lá fomos aos primeiros raios daquele sol que se erguia do lado do mar e se punha do lado da terra.

Logo aos primeiros quilômetros, o Opel triplicou os barulhos da partida e começou a cambar para o lado esquerdo. Por sua vez, as senhoras iam fechando a cara, daquela maneira que só as esposas contrariadas sabem fazer... O que nos valia, a mim e ao Simões Coelho, era a grande satisfação dos nossos filhos, o João e o Jorge. Riam e batiam palmas de cada vez que um macaco-cão atravessava a estrada, solene e atrevido.

     — Ó papá, tu não apitas nas curvas?! — estranhou a certa altura o Jorge.

     — Ó filho, tomáramos nós encontrar alguém, mesmo contra a mão! — respondeu, galhofeiro, o Simões Coelho.

Naquela fita de terra vermelha, marcada pelas tempestades e pêlos aventureiros, naquela solidão que parecia vir do princípio do mundo, buzinar seria uma ingenuidade e um sacrilégio.

A certa altura o «diospiro» cambou perigosamente para o lado de que vinha a queixar-se desde Porto Amélia — o esquerdo.

     — O feixe de molas está a dar o berro! — informou o Simões Coelho, de rabo para o ar, meio metido debaixo do carro.

     — E agora? — perguntei com a nítida sensação de ser ridículo naquele ermo.

     — Vamos andando devagarinho... Mahate deve estar perto!— sossegou o Simões Coelho a bater as mãos, vermelhas de terra.

Depois de meia dúzia de curvas, dadas de credo na boca, Mahate apareceu como um bocejo da floresta.

Mahate era uma terra pequena e poeirenta surgida, ao que me pareceu com a exploração, naquela área, da companhia algodoeira Sagal.

Para nós foi a Divina Providência que ali instalou umas oficinas capazes de reparar o nosso carrinho cambado e gemebundo. Não seria preciso, mas sempre fomos dizendo que éramos amigos do senhor Eng° Guedes de Paiva, ao tempo, administrador da Sagal em Porto Ameia... Além do préstimo, os mecânicos foram de uma amabilidade inesquecível. Só tivemos de esperar um tempinho bem bom. Fomos passá-lo a uma daquelas lojas que só se encontram na África em pleno mato. Ali se vende de tudo, mas tudo cheira a tabaco e peixe seco.

Resolvemos esperar na varanda, quase ao nível da rua, a uma mesa de tampo coberto de moscas. Daquelas moscas que voltam sempre mal acaba o gesto de as afastar. Ao fundo da varanda bebia cerveja um negro gordalhufo, esgoleirado, mas bem vestido. Limpava, a espaços, um suor azulado e parecia, de olhar fixo, contar as garrafas que já bebera e tencionava beber.

É o doutor do Ibo!... — informou o pretito que nos trazia os pedidos; adivinhando em nós a estranheza de ver ali tal figura.

Ainda pensamos em abordá-lo para lhe dizermos quem éramos e onde íamos, mas o nosso colega parecia estar ao fundo de uma varanda sobre o infinito...

Do outro lado da rua havia um inacreditável campo de futebol. Apenas umas canas espetadas no chão poeirento limitavam o necessário rectângulo em cujas extremidades havia uns paus tortos a servir de balizas. O piso era de terra moída e remoída por mil pés a ir e a vir na mira do golo. Mas o campo tinha uma vaidade que ainda hoje me dói... Por cima da entrada uma tábua ressequida dizia assim numa caligrafia acabada de aprender:

LEÕES DE MAHATE

 Quando pensávamos em ir ver se o carro já estava pronto, o «diospiro» apareceu, trazido por um funcionário da Sagal. Vinha todo teso e reluzente de limpeza, íamos batendo as palmas de contentamento. As nossas mulheres sorriram, finalmente. Pareciam já duas noivas em viagem de núpcias...

Dali até ao ponto de embarque para a ilha do Ibo correu tudo bem, mas tudo feito com muito cuidado por causa do piso. Quando menos se esperava surgia um pontão de troncos, ali posto para dar passagem no leito seco de um riacho efémero. Se bem me lembro, só atravessamos um curso de água permanente — o rio Montepuez.

Era em Tandanhangue que se embarcava para o Ibo. Não havia povoado, nem havia cais. Apenas uma enseada minúscula acolhia o barco a motor do vai-e-vem.

Ao embarcarmos, as senhoras voltaram a fechar a cara e os rapazinhos a ficar mais contentes. Aquele barco pareceu-lhes, certamente, acabado de saltar de um quadradinho de banda desenhada...

A mim pareceu-me pequeno para aguentar qualquer espécie de mar. Eu não sabia que no paraíso os barcos não têm tamanho... E foi uma viagem paradisíaca aquela que fizemos, ora quebrando espelhos de mar imaculado, ora atravessando florestas de mangai, de onde se erguiam bandos de pássaros, brancos e silenciosos como a neve.

Talvez influenciado pelas histórias de Somerset, esperava encontrar na Ilha do Ibo um pequeno porto com alguma agitação de gente curiosa e mercadorias pasmadas ao sol. O cais do Ibo não passa de um pequeno patamar com escadinhas a desaparecer na água quieta. À espera, apenas um rapaz de tronco nu, muito lesto nas manobras de atracagem.

Foi esse rapaz que nos levou a casa de Wong Jan, um chinês de hospitalidade lendária por toda a costas de Cabo Delgado e que, em Porto Amélia nos haviam indicado como único sitio do Ibo onde poderíamos ficar.

Wong Jan recebeu-nos com as vénias de todos os chineses a que, ao que me pareceu, juntou mais algumas de homenagem ao Simões Coelho, já famoso por aquelas bandas.

Depois de um banho, tomado a golpes de púcaro pela cabeça abaixo, fomos cervejar para a varanda. Íamos na segunda rodada, quando apareceu o «Madragoa» a esbracejar e a rir de lês a lês no carão moreno. O « Madragoa» era o Administrador da llha do Ibo. Não consigo lembrar-me do seu verdadeiro nome. Aliás, julgo que nunca o soube muito bem... Apesar de muito estimado e respeitado, ninguém a ele se referia de outra maneira.

     — Está cá o «Madragoa»! — anunciava-se, volta e meia, em Porto Amélia.

A simpática alcunha deve ter pegado por excesso de bairrismo do Administrador. Acho que dizia por tudo e por nada:

     — Sou de Lisboa e da Madragoa!

 E por ser de Lisboa recordou pela noite fora com o Simões Coelho casos e recantos da saudosa terra de ambos.

Quando as senhoras e as crianças se foram deitar, como autómatos perdidos de sono, ficámos só os três. Melhor, os quatro. Wong Jan andava por ali, discretamente, atento à nossa sede e à nossa fome. A certa altura o Administrador insinuou que «estava mesmo a calhar» um certo pastelão de um certo marisco.

Apesar do marisco me parecer um tanto coreáceo, o pastelão, no seu conjunto, ficou delicioso. Mas esta delícia viria a estragar-me a noite... Não fiz a digestão daquele marisco tão aplaudido. De cada vez que me virava, sentia os pedacinhos inteiros a carambolar no estômago, como bolas de bilhar. E quando pela manhã, ouvi o Simões Coelho a falar no pátio com os criados, berrei-lhe, ainda da cama:

Arranja-me um pouco de aguardente!

     — 'stá bem... 'stá bem! — respondeu com certa estranheza na voz.

Mas a aguardente nunca mais vinha. Passado cerca de um quarto de hora, voltei a berrar:

     — Então essa aguardente, Simões Coelho!?

     —Andam a tratar disso!... Tu julgas que estás na Régua?

Passados mais dez minutos, um criado bateu à porta.

     — Pronto, patrão! já 'tá — disse, contente, no seu riso de piano aberto.

Intrigado por não lhe ver nada nas mãos, perguntei:

     — Já está o quê?

     — O banho, patrão. Tem muita água!

Está visto que me andou a arranjar água quente em vez de aguardente!... Tomei um delicioso banho de bidom. O único banho quente em dois anos e meio de África.

O pequeno almoço tornou-se de fugida. Não queríamos perder o içar da bandeira naquele domingo passado tão longe.

A cerimónia foi breve mas de uma solenidade garantida pelo rigor militar dos sipaios. Nunca a nossa bandeira me pareceu tão nossa, a tremular assim naquele azul tão forte que parecia pintado.

Começamos a visita à ilha pelo Hospital. Ficava ali mesmo, naquele terreiro de árvores frondosas em redor do mastro da bandeira.

Não voltei a ver hospital tão limpo, tão arrumado e tão deserto. Apenas dois serventes negros nos fizeram as honras da casa, abrindo portas naquela solidão e respondendo baixinho às nossas perguntas. O Hospital pareceu-me apetrechado para o que desse e viesse. Viesse o quê? Apenas dois negros, muito velhos e muito magros estavam internados, mais por caridade que por doença. Nenhum respondeu às minhas perguntas. Nem os olhos mexeram, quando as repeti mais alto. Três mundos: o meu, o deles e o outro.

Ao recordar, agora, aquele deambular pelas ruas do Ibo, recordo paralelamente o percorrer das ruínas de Pompeia, visitadas muitos anos depois. Em Pompeia tudo aconteceu há tanto tempo que nada nos comove. Dir-se-ia que, ali, o Vesúvio e os séculos silenciaram tudo de tal maneira que as nossas almas e os nossos corações já nada podem sentir.

No Ibo o pano parece-nos caído sobre a opereta da grandeza e logo erguido para mostrar o drama da decadência. Entre a descida e a subida do pano, um curto intervalo para a História poder mudar de roupa.

Não pudemos visitar toda a Fortaleza por medida de segurança. Estavam lá prisioneiros muitos negros implicados na guerra, prestes a abrir ao sangue e à intolerância. O que vimos chegou para saber que a Pátria se defendia tão bem e tão longe.

Foi confrangedor passar diante de casas senhoriais, de paredes esventradas, sem telha que as proteja e porta que as guarde. Numa delas, em plena sala de jantar, de paredes apaineladas, crescia uma árvore com indescritível descaramento. Nas fachadas de armazéns arruinados, iam-se apagando os nomes de grandes firmas comerciais e um grande silêncio parecia amarrar-se àquela fiada de argolas de prender os animais de carga.

As casas habitadas eram poucas e dispersas. As pessoas vinham às portas ver-nos passar como fantasmas de um futuro que há-de vir. E ainda não veio.

Ao virar de uma esquina apareceu o nosso simpático Administrador. Vinha num jeep cheio de mossas, roncos de motor e grandes estoiros de tudo de escape. Queria oferecer-se para uma volta mais larga pela sua ilha.

Começou por nos mostrar, muito orgulhoso, um pequeno bairro social de sua iniciativa. As casas eram pequenas, de blocos feitos ali mesmo, sem qualquer estilo, a contar com um clima sem inverno. Foi uma nota de esperança naquela terra em agonia, desde o fim da escravatura. Sim. O Ibo foi próspero, enquanto entreposto de escravos. Ali se fixaram grandes famílias da Europa, vivendo na abastança, da compra e venda de negros.

Lá estão as casas senhoriais de estilo europeu a afirmá-lo e os apelidos nobres a resistir ainda aos humildes nomes indígenas: Ávila... Menezes... Carrilho... Ornelas... Alba... Coutinho... E o sangue? ohl... o sangue...A garantir a sanidade dos cruzamentos de sangue latino e negro, temos o milagre das «brancas do Ibo». Milagre de brancura, de elegância, de beleza, de jeito de falar e jeito de ser. Iris Maria é uma branca do Ibo. Foi miss Portugal. Não tem havido mais porque o Ibo é longe e mau caminho...

Ao som daquele jeep rebentado percorremos boa parte da ilha com o nosso «Madragoa» a gesticular indicações com o braço livre do volante. Nada me pareceu cultivado com regra ou entusiasmo. Toda aquela agricultura de subsistência tinha o mesmo ar espontâneo do capim, mas toda aquela desolação definitiva não impedia o nosso Administrador de gesticular grandes projectos de abastança. Quando se punha de pé, de braço estendido a traçar lonjuras de cultivo, chegava a ouvi-lo como um eco de D. Quixote...

Por ventura a marca mais profunda que me ficou daquele passeio a esmo pela ilha, foi a visão das sepulturas individuais e familiares que íamos encontrando perdidas no capim. Mal se desligava o motor para irmos ver mais perto, caía sobre elas um silêncio quase doloroso. Que grande senhor negreiro estaria ali comido dos bichos e dos remorsos? Que formosura virginal teria acabado ali os sonhos de donzela?

Um ventinho de murmúrio respondia do infinito. Um grande silêncio respondia a toda a gente.

Outra vez o cais... outra vez o barco... outra vez o mangal no mar quieto... outra vez os pássaros brancos e silenciosos como a neve...

E a Ilha do Ibo lá ficou, perdida no mar e na História.

Por  Camilo de Araujo Correia (extraído de  "Recordar é Viver")

*Relato que se presume tenha acontecido na década de 1960, quando o médico duriense cumpriu serviço militar em Porto Amélia como diretor do Hospital Militar e publicado em 1991 em Portugal-Peso da Régua, no "livro de Andanças".

**Comentário de Carlos Lopes Bento no ForEver Pemba 3 em 14/09/2004:

Mais uma faceta das terras de Cabo Delgado, desta vez uma viagem por terra e mar. A narração está bastante próxima da realidade.  O administrador " Madragoa" e "Malata" era em 1962 Mário Baptista de Oliveira. Escreveu uma Monografia sobre a Ilha do Ibo, não publicada. Parabéns por mais um trabalho sobre as terras de Cabo Delgado, com a narração de uma viagem entre Porto Amélia e Ibo, por terra e mar. O "Madragoa" e "Malata" administrador do concelho do Ibo era, em 1962, Mário Baptista de Oliveira. Escreveu, então, "Monografia Sobre a Ilha do Ibo",dactilograda, não publicada. Mezungo m'barabara. Enviado por Carlos Bento em setembro 14, 2004 03:43 PM


 

para anotar...porque faz parte da história de pemba...

D. José dos Santos Garcia - Bispo emérito de Porto Amélia.

D. José dos Santos Garcia comemorou 90 anos em 16 de Abril de 2003

"Nascido a 16 de Abril de 1913, D. José dos Santos Garcia, Bispo Emérito de Pemba, comemora hoje (16 de Abril de 2003) o seu aniversário com a presença de quase todos os Bispos Portugueses, alguns padres da Sociedade Missionária da Boa Nova e da Diocese da Guarda na sua terra natal, Aldeia do Souto.
D. José é membro da Sociedade Missionária, trabalhou enquanto jovem Padre nos seminários de Portugal, foi um grande obreiro da Missão do Mutuáli, Diocese de Nampula, onde construiu a Igreja, internatos masculino e feminino e centro de saúde.
Nomeado Bispo de Porto Amélia, hoje Pemba, em 1957, promoveu uma bem planeada pastoral em que eram prioridades a formação do clero, dos leigos e de religiosas moçambicanas. Para isso criou os Seminários, a Escola de Professores Catequistas e a primeira congregação religiosa de Moçambique, Filhas do Coração Imaculado de Maria. Promoveu a evangelização e dotou as missões de esmerada estrutura. Sofreu com a divisão da sua diocese nos tempos da luta pela independência quando não podia visitar todos os cristãos.
Voltando a Portugal em 1974, colaborou com a Diocese da Guarda naquilo que lhe foi pedido e ele faz questão de destacar as aulas de missionologia aos seminaristas. D. António Santos, actual Bispo da Guarda, reconhece que "é difícil fazer registo completo dos valiosos serviços prestados a esta Diocese".
Depois dos 85 anos dedicou-se a reformar a Igreja e as capelas da sua terra natal, Aldeia do Souto e a escrever livros: Alicerce e Construção duma Igreja Africana, Diário do Mutuáli, Evangelização de Cabo Delgado e Notas para a História da Paróquia de Aldeia do Souto. Este dois últimos serão oferecidos aos amigos no dia da festa dos 90 anos. Além de reflexões pessoais, os três primeiros são documentos para história da Igreja em Moçambique."

Memórias de Bispo-Pai Natal

"D. António Santos (Bispo da Guarda) cita alguns episódios narrados na primeira pelo aniversariante , por ocasião das visitas pastorais, apresentando-os como exemplo da "simplicidade e simpatia" do grande "Bispo Missionário".
"O primeiro deu-se em Orjais, pelo ano de 1975. Fui lá com D. Policarpo e cheguei dez minutos antes. Subi a escadaria da casa do pároco onde, a meio, estavam dois pequenos que iam ser crismados. Um disse: o senhor é que nos vai crismar? Ao que respondi: posso ser ou não! O outro observou: o senhor com essa batina, essa faixa vermelha, essa cruz e esse chapeuzinho está mesmo porreirinho..."
O segundo caso que o aniversariante costuma relatar ocorreu em 1988. "Uma jovem foi crismada no Fundão e quando chegou a casa disse à mãe: mãe, sabes quem me crismou? Foi o Pai Natal! A senhora viu-me passar a pé, saiu de casa e veio contar-me a história".

Do site http://www.ecclesia.pt

http://www.ecclesia.pt/ae/nacional/abril/16/16_1.html


Esperamos D. José continue forte e saudável lá pela Diocese da Guarda. Se entretanto nos quiserem enviar noticias do mesmo poderão utilizar o endereço de e-mail gotaelbr@yahoo.com.br .

 

D. José dos Santos Garcia ainda é vivo, conta com 92 anos e está com uma memória previlegiada. Sempre bem disposto estivemos com ele no passado Domingo, dia 7 de Agosto de 2005. Tivémos ainda a felicidade de poder assistir à eucaristia por ele celebrada, ao meio dia, na capelinha da sua residência. Quem o quiser visitar, não é difícil encontrá-lo: -Aldeia do Souto (entre a Guarda e Belmonte) sua terra Natal.  Grande contador de histórias fala com muita saudade das gentes de Pemba e de outras localidades por onde passou por terras de Moçambique.

Enviado por Maria José Costa em 17 de Agosto de 2005 - 09h48.

telefones de moçambique

moçambique

imensis

moçambique on-line

cplp-portal

lam-linhas aéreas de moçambique

autores africanos

tvn-moçambique

macua de moçambique

"malhanga" a home do magno antunes 

 AONDE-Para efetuar suas pesquisas na net...
Aonde Catalogo de HomePages

 

© Jaime Luis Gabão - Outubro 2000-Home Page PEMBA e RÉGUA | Última alteração em 16/05/2009 01:35:17