Os Makondes são um povo da África oriental, que habita 3
planaltos do norte de Moçambique e sul da Tanzânia. Têm como
actividades principais, a agricultura e a escultura. Sendo
apreciados mundialmente pelas suas belas máscaras e esculturas
em madeira, que reflectem a sua estética e cultura
ricas.
A maioria dos cerca de 1.260.000 Makondes mantêm uma
religião tradicional embora parte da população seja hoje
cristã.
Os Makondes são um povo Bantu provavelmente originário
de uma zona a sul do lago Niassa – Na fronteira entre
Moçambique, Malawi e Tanzania. A hipótese desta origem foi
apurada a partir da análise de fontes escritas e orais, e é
ainda reforçada por semelhanças culturais com o povo Chewa,
que ainda hoje habita uma vasta zona a sul e sudoeste do lago
Niassa, no Malawi e na Zâmbia.
Os Makondes teriam assim pertencido, em tempos
remotos, a uma grande federação Marave, que teria iniciado a
sua migração para nordeste, ao longo do vale do rio Lugenda,
em tempos bastante longínquos.
Mantiveram-se muito isolados até tarde, pois só no
século XX é que os portugueses, que na altura colonizavam
Moçambique, conseguiram controlar as zonas por eles habitadas.
Isto deveu-se à sua localização, protegida por zonas ingremes
de difícil acesso e por florestas densas. O facto de os
Makondes terem ganho uma imagem de violentos e irrascíveis,
também ajudou ao seu isolamento.
Desta forma, conseguiram manter uma forte coesão
cultural, que apesar de ter diminuido nos anos que se seguiram
à chegada dos portugueses, ainda assim conseguiu resistir em
vários aspectos. Também a religião tradicional se manteve
dominante, tendo as conversões ao cristianismo começado apenas
por volta de 1930.
Este povo tem grandes preocupações estéticas, que se
podem observar não só nas máscaras e esculturas, mas em todo o
tipo de objectos. Também na arquitectura das aldeias e
caminhos de acesso, se nota um cuidado estético.
Todos os tipos de objectos são feitos com grande
sensibilidade estética e demonstram um amor pela beleza,
caixas de remédio e rapé, cachimbos, rolhas de garrafa,
bilhas, potes e panelas de cerâmica, tambores, insígnias de
poder, instrumentos rituais, etc.
Os Makondes, assim como muitos outros povos, dão muita
importância aos ritos de passagem, sendo os mais importantes
os ritos de iniciação masculina e feminina. E ligada aos ritos
de iniciação masculina, está a mais importante dança dos
Makondes, o Mapico, onde são usadas máscaras com o mesmo
nome.
Esta dança é muito importante na vida dos Makondes de
Moçambique, havendo uma aura de mistério e segredo rodeando a
preparação das máscaras e a dança propriamente dita, sendo por
exemplo importante que não se saiba a identidade do dançarino.
Para a dança, um jovem mascara-se de homem ou animal,
vestindo panos e usando uma máscara Mapico na cabeça. Existem
vários passos que o dançarino executa, sempre em sintonia com
a música dos tambores, apresentando uma espécie de encenação
teatral, que encanta e diverte todos os que
assistem.
Depois de um extase de actividade por parte do
dançarino, segue-se uma encenação de perseguição e fuga, entre
o dançarino e um grupo de aldeões.
O Mapico é o centro das festas tradicionais, em que
são realizadas as cerimónias de iniciação.
Depois da chegada dos portugueses às áreas Makondes,
muito rapidamente as autoridades coloniais e os missionarios,
se aperceberam do grande talento e técnica dos artistas, e
usaram esse talento para satisfazer os seus interesses. Dando
origem a esculturas de cristos e virgens por um lado, e bustos
do ditador Salazar, do poeta camões, Alexandre Herculano, e de
outras individualidades da história portuguesa, por outro.
Também surgiram esculturas tipificadas, tais como: o fumador
de cachimbo, o caçador, o lavrador, a mulher transportando
água, a mulher pilando alimentos, etc.
O interesse por esta produção de esculturas foi tão
grande que levou a uma maior organização da produção, com
diversificação e criação de novos temas.
Este fenómeno mudou por completo o mundo do escultor
Makonde, que passou de camponês que também esculpe, a um
artista quase a tempo inteiro.
Apesar destas mudanças importantes e do impacto da
cultura exterior na sociedade Makonde, a tradição continua a
ter muita força e a enquadrar a vida dos artistas, que
continuam a cumprir os seus deveres na sociedade
tradicional.
Aconteceram grandes alterações económicas e sociais
nas últimas décadas na sociedade Makonde, que no entanto tem
conseguido adaptar-se relativamente bem às mudanças e manter
um saudável equilibrio.
® Do site do Escultor Makonde
Ntaluma ¬ |
Ntaluma é um escultor moçambicano
que
nasceu em Nanhagaia, distrito de Nangade,
província de Cabo Delgado, Moçambique, no último ano da década
de 60, num Sábado, com o calor do planalto, onde os homens se
assustaram com as gargalhadas das parteiras tradicionais
Makondes. Dando grande felicidade ao seu pai que estava muito
ansioso.
Iniciou o seu trabalho de
transmitir a sua mensagem através da madeira, em Novembro de
1990, no Museu de Etnologia de Nampula. Depois de ter recebido
os segredos da escultura Makonde, do seu mestre Crisanto
Bartolomeu Ambelikola.
Em 1992 chegou
a Maputo onde, com um grupo de amigos, fundou a “Favana Grupo
de Escultores Makonde”, no parque de campismo de Maputo. Em
1994 começou a ensinar escultura Makonde a moçambicanos e
estrangeiros.
Em 2000,
integrou a ASEMA - Associação de Escultores Makonde, que
funciona no Museu Nacional de Arte de
Moçambique.
Chegou a
Portugal em 2002 onde começou a desenvolver com outros
artistas, um intercâmbio de sensibilidades
artísticas.
Em 2003
assumiu a responsabilidade da escola de escultura da ALDCI –
Associação Lusófona para o Desenvolvimento, Cultura e
Integração - Portugal, integrada na escola da
multi-culturalidade.
Está
representado em coleções particulares nos quatro cantos do
mundo.
As
Origens da arte: Quem não se lembra de alguma vez na vida ter
visto uma escultura Makonde, que faz rodopiar as pessoas numa
viagem que é de todos nós, numa reafirmação de que a arte está
permanentemente nos corações de todas as latitudes.
A
humanidade é uma parte da natureza com os seus
fenômenos.
Para o escultor, uma imagem não é só um
simulacro provido de qualidades vivas, é também uma forma de o
homem manifestar o seu imaginário. Desde a idade da pedra que
os nossos antepassados esculpem com as suas mãos, as formas
naturais da terra.
® Do site do Escultor Makonde
Ntaluma ¬
Reinata
 Mãe e filhos no cesto pela lei da
família, 1999.
Cerâmica |
Nasceu em 1945, na aldeia
de Nemu, Mueda, Cabo Delgado. Em 1972, durante a
luta armada, ingressa na Frelimo. Em 1975
divorcia-se e inicia uma transformação profunda
na sua cerâmica, começando por ser conhecida em
Cabo Delgado pelas suas "formas
estranhas".
Participou em exposições
colectivas em Cabo Delgado, Maputo, Joanesburgo,
Copenhaga e Lisboa. Participou em workshops em
Maputo e Londres. Em 1998 realizou em Maputo uma
semana de ensino sobre cerâmica tradicional.
Realizou exposições individuais na Tanzânia e em
Maputo.
|
Matias
Ntundo
 Representação
biblíca,
1998 Xilogravura Colecção
particular |
Nasceu em 1948 em Nandimba,
Mueda, Cabo Delgado. Em 1982 começou a
dedicar-se quer a escultura em pau-preto quer à
xilogravura.
Fez uma exposição
individual de xilogravura em 1988, em Pemba e
Maputo. Participou numa exposição colectiva, em
Berlim, RDA, 1985. Os seus trabalhos foram
editados em postais e em ilustração de
livros.
|
Valingue
 Kurilamba,
1998 Pau-preto |
Nasceu em 1953, em
Nanhagaia, Planalto de Mueda, Cabo Delgado.
Os seus trabalhos foram
espostos em Maputo no Museu Nacional de Arte,
integrando a Exposição de Escultura
Contemporânea Makonde, também apresentada em
Paris.
|
Makonde - Um
Povo repleto de cultura
Para que seja
divulgado...
®
Do
Espaço
Moçambique - Porto
¬
Titulo : Arte Makonde Por : Maria
Mhaigue Data : 17/8/2004 às
16:
Mensagem : ... por isso deixo um pequeno
Contributo:
Estatuária Makonde
Moderna
Do estilo moderno há que destacar
o Estilo Shetani e o Estilo Ujamaa. Nos anos
50, é significante um novo desenvolvimento da
arte entre os Macondes, que foram para a
Tanzânia e tomaram contacto com ideias políticas
e sociais. Isto ajudou a alterar as suas
consciências.
A escultura Maconde, deixa
de ser apenas os objectos tradicionais que eram
comercializados ao longo da costa do sul de
Tanganyika.
Desde a independência,
cabeças esculpidas de quase tamanho real têm
aparecido demonstrando versatilidade, que pode
ser retirado da imaginação do artista. As
cabeças são de uma grande beleza e equilíbrio
estético. Em vez de terem cabelo no topo,
parecem seres animais e mitológicos a devorar-se
simultaneamente. É uma ilusão impressionante
e profundamente dramática. São as preocupações e
acontecimentos do dia-a-dia, expressados pelo
simbolismo. Símbolos de fertilidade, imagens
representativas de luta anti-colonial, o
erotismo dos espíritos.
Estilo
Shetani No início dos anos 60 a escultura
toma um carácter bizarro, naquilo que viria a
ser conhecido como estilo Shetani.
Desenvolveu-se entre os Macondes que viviam no
exílio na Tanzânia, porque em Moçambique
colonial a força da igreja católica proibiu os
talhadores de trataram temas das suas tradições
ancestrais e espíritos.
Mesmos os
rituais como o Mapiko foram proibidos e
reprimidos, desde que isto era visto como uma
heresia pagã, nos termos dos valores cristãos
impostos pelo o colonialismo.
Os Macondes
das áreas ocupadas pelos portugueses continuaram
a talhar essencialmente figuras realistas,
embora umas fossem mais estilizadas do que
outras.
O estilo Shetani revelou uma
cosmogonia de seres e espíritos malignos que
habitam a natureza e forças que o homem tem de
enfrentar todos os dias.
A partir do ano
de 66 este estilo começou a ganhar
reconhecimento a nível mundial. Shetani é uma
palavra usada para traduzir os espíritos
Nandenga da cosmogonia Maconde, que também é
representada no Mapico.
Contudo é melhor
descrito nos contos que são passados de boca em
boca. É um espírito mau que espalha a doença
como o vento. Têm só uma perna, um braço, um
dedo, um olho, e um cabelo. No norte da
Zambézia, é chamado o “espírito do Mato”. A
palavra Shetani pode ser usada ainda para
descrever qualquer figura ou espírito não
identificado, como animais de diferentes
tamanhos, principalmente nocturnos e
misteriosos. Cada Shetani têm o seu próprio
nome e ambiente geográfico. Alguns são das
florestas, outros das planícies ou das aldeias.
Uns têm prostitutas, e alguns foram trazidos
pelos indianos ou pelos europeus.
Os
Shetanis não explicam o mundo, mas com todas as
suas fábulas ajudam a passar as dificuldades que
podem ocorrer no dia-a-dia. Em suma, eles têm
um sentido simbólico, profundamente humano,
criativo e estimulador para a
imaginação. Toda esta cosmogonia era
expressada na escultura, com um sentido de
grande equilíbrio e movimento. Era uma
representação eloquente do sofrimento, angustia
e desespero, mostrava uma técnica notável em
transformar a fantasia em escultura e expressar
novas ideias que surgiam do contacto com outros
povos e
situações.
Artistas:
Bartolomeu
Ambelicola Nasceu no ano de 1939, Cabo
Delgado, oriundo de uma família de escultores.
Ainda em criança começa a esculpir fazendo parte
da sua infância o convívio com os velhos
mestres. Coma Luta Armada cedo se passa para
as Zonas Libertadas onde continua a desenvolver
a sua arte. Em 1978 vai residir para Nampula,
mas em 1983 por motivos de sobrevivência
regressa a Nandimba onde hoje vive como
camponês. Tem obras suas na colecção do Museu
Nacional de Arte e do Museu de
Nampula.
Celestino Tomás Nasceu em
Miúla, Mueda, Cabo Delgado, em 1944, no seio
duma família de grandes escultores. Teve como
Mestre seu Tio Ndomessa André com quem se inicio
verdadeiramente na escultura depois de ter
frequentado durante dois anos a Missão de
Lipelwa. Em criança já brincava esculpindo em
paus leves e mandioca. Foi emigrante na
Tanzania de 1964 a 1972 onde continuou a
esculpir tendo-se então instalado em
Dar-es-Salam e depois em Arusha. EM 1975
regressa a Miúla e durante três anos faz a sua
casa e dedica-se ao trabalho no campo. Em 1978
vai para Nampula numa tentativa de poder vir a
dar continuidade à sua arte o que veio a
concretizar, e onde se manteve até 1981, data em
que se viu obrigado a regressar à sua terra, por
questões de sobre vivênvia, vivendo hoje como
camponês. Tem obra em colecções de vários
países, tendo participado também em exposições
colectivas em Moçambique como peçaas da colecção
do Museu de Nampula.
Cristovão
Alfonso Nasceu em 1949 em Nampanha, Mueda,
Cabo Delgado tendo ainda em criança emigrado
para a Tanzânia, com os pais, donde regressa só
em 1976, a Namaluco – Quissanga, transferindo-se
em seguida para Nampula onde passa a viver. E é
já em 1979 – com 30 anos de idade que se inicia
na escultura, aprendendo com os seus familiares,
entre os quais se conta seu irmão Jerónimo
Dinhuassua já falecido.
Lamizosi
Madanguo Lamizosi conta 36 anos e nasceu em
Miúla, Mueda, Cabo Delgado. Cedo seguiu a
tradição familiar de ser escultor. São seus
irmãos, Nkalewa Bwaluka e Cristiano Madanguo
tendo já ele um filho a esculpir, Francisco
Lamizosi. Quando inicia os seus estudos, na
Missão de Lipelwa, logo os tem que interromper
dado o começo da Luta Armada. Iniciada esta,
mantêm-se sempre nas Zonas Libertadas
desenvolvendo aí a sua arte. Periodicamente
deslocava-se a Mtwata na Tanzânia onde vendia
todas as suas obras. Em 1978 vai para Nampula
e integra-se na Cooperativa 16 de Junho, onde
ainda hoje vai vivendo da sua arte. Obras
suas pertencem a museus nacionais e várias
colecções provadas.
Miguel
Valingue Nasceu em Nanhagaia, Mueda, Cabo
Delgado em 1953. Em 1964 entra para a escola
primária, junto ao Régulo Likama, aderindo por
essa altura também à Luta Armada, o que o leva a
optar pelas Zonas Libertadas do Planalto de
Mueda e a abandonar os estudos. Em 1968 vai para
a Tanzânia com a família, começando em 1969, e
tendo como Mestre se irmão Rafael
Massude. Até 1974 vive em Mtawara regressando
no Governo de Transição a Mueda. Em 1978 fica
residência em Nampula e passa a fazer parte da
Cooperativa 16 de Junho. Em 1986 vem para Maputo
em busca de melhores condições de vida. Tentou
entrar para uma cooperativa, mas constatou que
aí só aceitavam artesanato em série. Hoje,
trabalha por conta própria respeitando a sua
arte. Tem várias obras nas colecções do Museu
Nacional de Arte e do Museu de Nampula.
Nkabala Ambelicola Nasceu em
Miúla, Mueda, Cabo Delgado, em 1930 e como era
natural do seu meio familiar, logo em criança
abraçou a arte de esculpir em madeira.
Pertencendo a uma grande família de escultores,
ele tem como Mestres seu pai, Ambelicola Njeu, e
seu tio, Kyakenia. Logo após o massacre de
Mueda adere à FRELIMO apoiando a Luta Armada por
todos os meios ao seu alcance: desde o
transporte de material de guerra à produção no
campo, sem contudo abandonar a sua
arte. Quando da Independência sai de Nandimba
onde se encontrava e vai para Nampula em busca
de trabalho, fixando aí residência e passando a
elemento da Cooperativa 16 de
Junho. Participou em várias exposições
colectivas no exterior em Moçambique, tendo
obras suas em várias colecções
nacionais.
Nkalewa Bwaluka, ou Leo,
como antigamente assinava as suas obras, nasceu
em Miúla, Mueda, Cabo Delgado, em 1928. Pertence
a uma família de grandes escultores e tem dois
filhos que já o são: Machele Nkalewa e Nancheto
Nkalewa. Quando era pequeno acompanhava o seu
pai na feitura de máscaras Mapiko que deveriam
ser usadas no final das cerimónias de iniciação,
começando também com o pai a esculpir figuras
humanas. Em 1963 emigra para a Tanzânia
passando a viver em Masunga, Mtwara, onde
desenvolveu grande actividade, que depois
enviava as peças para a Europa. Em 1967
instala-se junto à Estrada de Moshi, esculpindo
e vendendo aí os seus trabalhos. Em 1976
regressa a Miúla, passa a Nampula e em 1978, por
questões de sobrevivência regressa à sua terra
onde hoje é caçador. Obras suas pertencem a
museus nacionais e colecções particulares no
estrangeiro.
Estilo Ujama Nos meados
dos anos 60, os escultores Macondes, tinham o
estatuto de refugiados políticos, uma vez que o
seu país estava ocupado pelo poder
colonial. Por esta altura um novo estilo de
talhe aparece, o estilo Ujama. O estilo Ujama
embora tenha aparecido mais tarde do que o
Shetani, na sua forma compacta é mais aproximado
do tipo de talhe tradicional africano. A base
é esculpida bem relevo para representar a
família, de forma realista nos corpos e caras,
mantendo características típicas Macondes. Na
forma não compacta as figuras formam uma torre
acrobática, captando o sentido de movimento
expresso no estilo
Shetani.
Artistas: Kauda
Simão Nasceu em Idovo, Mueda, Cabo Delgado,
em 1958. Oriundo de uma família de escultores.
Ainda em criança começa a esculpur, mas logo no
início da luta armada passa-se para as Zonas
Libertadas vivendo e convivendo entre escultores
mais velhos e em associação com
estes. Integrado na Luta pela Independência
ele apoia tomando parte em alguns combates e
carregando material de guerra. Reinicia a
actividade de escultor em 1979, em
Nampula. Rafael Nkatunga Nasceu em Ncaja
Nasingusa, actual aldeia Litembo, Mueda, Cabo
Delgado, em 1951. Tinha apenas um ano de idade
quando acompanhouo seu s pais que emigraram para
a Tanzânia, indo viver para Dar-es-Salam onde
fez instrucção primária, começando então a
trabalha como seu cunhado, Constantino Mpakulo,
que considera ainda hoje o seu verdadeiro
Mestre. EM 1968 instala-se junto à Estrada de
Bagamoyo, onde começa a trabalhar, regressando a
Moçambique em 1973, indo viver numa base da
FRELIMO e passando a trabalhar no campo como a
melhor forma de apoio à Luta Armada. Em 1975
volta a Mueda e retoma a sua arte. Em 1977
fixa residência em Nampula onde trabalha ainda
hoje. Obras suas já participaram em várias
exposições internacionais e estão representadas
em várias colecções nacionais.
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|
Do conhecimento das coisas
belas nasce o desejo de as reproduzir
... |
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A Arte Em Cabo
Delgado
Máscara Maconde - Significado
Litúrgico |
 ¬ Máscaras Macondes do Museu
Etnográfico de Nampula
As máscaras dos
macondes traduzem muitos de seus anseios, usos,
costumes tradições e também supertições. Os
documentos estatuários da iniciação, tanto
masculina como feminina, são de grande interesse
etnográfico. É no povo Maconde que se
encontra o melhor que a arte nativa Moçambicana
pode apresentar neste aspecto. Se é certo
que a obra retrata a imagem do sentir do
artista, de tal modo que ambas se identificam
tantas vezes como sendo a sua representação
recíproca, com as máscaras litúrgicas nativas
sucede outro tanto, visto ambas viverem essa
simbiose mística. O artista só recebe a
honrosa incumbência da manufatura das máscaras
quando se julga e é julgado por todos em estado
de pureza. O trabalho a que põe mãos é feito
na clausura de sua oficina ou em lugar retirado,
nunca sujeito à observação de quem quer que
seja; resulta, assim sob o signo do máximo
sigilo e segredo. Quando, dias depois,
ultima as máscaras, eles e elas são um todo
confundível, pois que o espírito representado na
obra é o mesmo que se encontra na alma do
artista. O mesmo elo os liga: a liturgia do
culto. Não há duas máscaras iguais, nem mesmos
padrões a caracteriza-las. Tanto as dimensões,
como os motivos decorativos são sempre
diferentes, A sua configuração tanto pode ser
dolicocéfala como braquicéfala. Cada máscara
é pertença pessoal; não está sujeita a troca,
venda ou cedência. Por morte, passa, como
herança, aos sobrinhos uterinos. Se já lhe
não é atribuído o poder da virtude, ou julgado
te-lo perdido em parte, a máscara é sepultada
com ceromónias rituais. Ela compartilha nos atos
que traduzem o contato do humano com o mundo dos
mortos, e em outros quantos mais constituam
ritos. Entre os macondes há dois tipos de
máscaras, representando, respectivamente,
animais e homens (ou mulheres). As dos
animais e dos homens destinam-se, geralmente, a
criar climas artificiais de superstição,
excitação colectiva e até pavor; têm o nome de “
lipico”. As máscaras que servem ás mulheres
utilizam-se para as ceromónias de iniciação,
danças, etc, e designam-se por “ natumbeiro”.
São de madeira de uma só peça e cobrem toda a
cabeça. Não permitem a visão, a não ser pela
abertura da boca, para o que são feitas de
maneira a ficarem bastante inclinadas para a
retaguarda e a permitirem que os raios visuais
passem por exata abertura. A posição da máscara
faz levantar a cabeça, dando-lhe uma atitude de
decisão e arrogância. Como convêm aos
intentos religiosos, sociais e folclóricos, é o
passado que inspira o artista. Nele todo o
nativo encontra a fonte das suas energias
físicas e espirituais. As feições escultóricas
traduzem espíritos bons e maus, todos,
porém, dignos de respeito e atenção.
Veneração, nobreza, hilaridade, meditação, etc,
tudo isso cabe nas várias expressões das
máscaras, enriquecidas pela tatuagem, corte de
cabelo, barba e outros motivos decorativos. As
máscaras femininas distinguem-se por não serem
terríficas e trazerem, em geral, adornos
clânicos nas orelhas, nos lábios e no nariz; as
suas expressões são suaves e
dasanuviadas.
|
Máscaras Vivas
Macondes Tatuagem
e cicatrização, Desenhos na testa, Têmporas e
face, obtidos em três operações sucessivas,
realizadas após a respectiva
cicatrização. |
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 |
O conhecimento que temos da cirurgia
plástica, corrente em muitos países, destinada
não só a salvar acidentados ou mutilações ou
cicatrizes terríveis, mas também com o fim de
suprimir defeitos naturais ou reduzir as
superfícies de peles ou carnes flácidas,
leva-nos a encontrar explicação para a prática
de certos povos nativos que se deixam tatuar ou
mutilar em operações dolorosas, seguindo
técnicas primitivíssimas. A curiosidade
parece satisfazer-se com analogia que, neste
particular, os chamados povos cicatrizados e
atrasados revelam. Ora se nos nativos os
desenhos caprichosos das tatuagens que incidem
nos seios, peito, baixo ventre e coxas das
mulheres podem pretender ter por fim realçar
predicados femininos, o fato só por exceção é
resultante de preocupações do embelezamento,
pois a sua razão de ser baseia-se em valores
muito mais complexos, se não transcendentes. Há
verdadeiramente como que o mistério das
tatuagens. Para o desvendar são necessárias
observações e diligências aturadas. Entre os
nativos o conhecimento da vida obtém-se por um
exame-prova que promove o adolescente à
categoria de homem ou de mulher. É mais do que
uma cerimônia, pois constitui um período de
provação e promoção, considerado o mais
importante da vida do nativo e que o leva da
situação neutra, inclassificada, à de elemento
da comunidade consciente e idónio. Só assim
integrado, será mais uma peça pertencente ao
corpo e espírito do clã.Trata-se de uma lei
imutável que tem duração milenária, que ninguém
discute e todos respeitam; que não pode ser
profanada nem sequer pela inconfidência para com
os estranhos da tribo e menos para com o
europeu. Até mesmo entre si o assunto
merece-lhes tal respeito que dele se abstêm de
falar até ao momento necessário. O sacrifício da
dor, e a sua aceitação, sem o menor gesto de
protesto, promove-o à categoria de adulto. O
ensinamento das dores é o preço de entrada para
a sociedade. A recordação do sacrifício terá de
perdurar, por isso é nas regiões mais sensíveis
e dolorosas que há que suportar a operação.
A tatuagem, as mutilações e deformações
associam-se ao ato de circuncisão, quando não
tem lugar antes ou depois. As cerimônias são
antecedidas por provas de obediência, de
coragem, de valor moral e físico. Mas todos
estes aspectos deverão pertencer à mesma
estrutura mística que anima e mantém sagrada a
tradição. Trata-se de um padrão cultural, de
iniciação nos mistérios da vida, que exige
conhecimentos, os quais só podem firmar-se,
segundo a ética nativa, pela renúncia,
sacrifício, jejum, dor, etc. Daí as
grandes manifestações festivas que têm lugar
após a entrada na sociedade dos circuncidos.
Mas não é só na iniciação que se executam
tatuagens e mutilações. Há graus sociais que
exigem dos membros, que a elas pertencem, provas
de sangue que servem a trazer presente aos
olhares de todos, as insígnias desses cargos de
privilégio. Assim acontece, por exemplo, aos
grandes chefes tribais, e aos chefes menores. A
par das tatuagens que recebem, aqueles chefes
prestam também provas de resistência física e
coragem moral. As credenciais são assim obtidas
, delas fazendo parte igualmente, certos
objetos, como a lança de autoridade, a catana, o
bastão, etc. Também para artífices ou cargos
especializados se usa, por vezes, para os
identificar, a tatuagem, bem como para os que se
convertem aos islamismo, apostatando da lei
consuetudinária. A configuração esquemática das
tauagens varia, em geral, segundo o sexo e a
parte do corpo onde incide. Obtém-se por picada
ou pontuagem, escarificação, feitas por maio de
agulhas, estiletes ou ganchos, empregando-se
substâncias cáusticas e matérias corantes, à
mistura com cinza, que serve, simultaneamente,
para obter altos e baixos relevos, dar cor e
desinfectar. O fogo é o agente geral que
facilita e purifica a operação. As tatuagens
podem ser feitas em fases sucessivas,
nomeadamente quando constituem revelação de
identidade dos graus da escala social a que os
operados são arvorados. Os desenhos
representam figuras geométricas de retângulos,
losangos ou quadrados, curvas, retas, aspectos
remiformes, cículos, cruzes, espinhas de peixe,
etc.. As figurações naturalistas esquematizadas
e estilizadas das tatuagens são exclusivas do
povo maconde. O Lagarto e o Crocodilo
figuram entre os animais estilizados nelas
representadas. Motivos mágicos como o do sardão,
combinam-se, em valores decorativos, com os
traçados geométricos já mencionados. A par de
ornatos de fantasia há símbolos de fertilidade
ou de procriação. Palmeiras estilizadas, molhos
de mandioca, etc, ganham aspecto de valor
artístico em numerosas
tatuagens.
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Máscaras Macondes - Um Mapico em
Mueda |


A máscara é um produto resultante do
espírito tradicional e religioso do nativo. Com
o rosto velado por ela, volta-se virtualmete,
para o mundo dos antepassados, mundo de respeito
e de virtudes, que se chama o mundo das
sombras. Então a alegria irrompe dos corações
dos presentes e as mais belas exteriorizações da
dança e do canto têm lugar para grande
satisfação dos sentidos. O bailarino
maconde é a figura principal do Mapico. A
máscara de madeira cobre-lhe a cabeça. Uma
indumentária estranha, imprecisa, sempre
diferente veste-lhe o corpo. Ela constitui o
seu melhor atavio. As pernas são tapadas pór
mais uma cobertura, assemelhando-se a meias,
desde os pés até à coxa. Guizos suspensos
ajudam, pelo som, a marcar melhor o ritmo. Em
cada “Mapico” há vários dançarinos que ora
dançam isolados, ora em conjunto. Os cantadores
têm também a sua oportunidade de exibir-se e são
numerosos entre os rapazes e os
homens.
Os chifres dos
animais, longos e recurvados, servem de
instrumento musical para o “Mapico”. Também se
utilizam para outros fins de natureza
utilitária, nomeadamente para transmissão de
mensagens a distância. A sua presença nas danças
e cantares como tubas, tem interesse decorativo
e suscita apreço na assistência
feminina. Para o “Mapico” não há necessidade
de grandes preparativos. Todos são
comparticipantes, com exceção, em geral, das
mulheres. Deste modo, o passatempo distrai
rapazes e homens. A mulher e a adolescente
são espectadoras comtemplativas, que não
obstante, se deleitem com as habilidades
artísticas dos homens. Durante a sessão há
mudanças de papel. Os músicos passam a
dançarinos, os dançarinos a cantores,
etc.
A assistência feminina nos “Mapicos” é
sempre grande e interessada. As mulheres
trazem consigo os filhos ainda de colo. Os
adolescentes acompanham-nas também. O ponto
de reunião é junto da orquestra, dos cantores e
bailarinos.
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A arte as estatuária maconde abre
perspectivas de compreensão, entendimento e
percepção geral a todo o povo do planalto. A
mácara tem o seu significado sagrado, é só para
os escolhidos do clã. Com ela não se brinca. A
sua presença nos “mapicos” não constitui símbolo
decorativo ou de entretenimento. Pelo contrário,
a pequena estátua de ébano, pau rosa ou madeira
branca ou vermelha, que sai das mãos do artista,
essa é simples motivo de exteriorização do seu
apreço e predileção por usos, costumes, de
expressivas demonstrações de agrado e prazer
material ou espiritual. Nasce do povo e ao povo
se destina. Não é uma alfaia litúrgica, não
reproduz o respeito e o culto dos mortos, não
faz parte desse mundo implacável, místico,
castigador ou dadivoso, mas sempre considerado
secreto. A estatueta é antes uma expressão de
humanidade, de harmonia e de beleza formal. O
curandeiro, o mago, o adivinho são ali
representados ao mesmo nível das coisas
populares, como o homem a tomar café, ou a
mulher que é representada a fumar cachimbo, a
farinar cereais, a transportar água, a cozinhar,
ou o animal em atitudes peculiares, sempre
belas, isolado ou com seus filhotes. Todos os
motivos são tratados como espírito artístico,
onde a perfeição e a beleza são predicados
indespensáveis, indiferente ao julgamento do
europeu, ou de outro povo nativo, só exigente
consigo mesmo. Há uma determinate
estético-erótica quando realça os dotes
femininos, mas tal concepção não coloca em
segundo lugar o valor da mulher como mãe e
elemento indespensável na ordem e economia do
lar A estilização faz parte do seu labor
artístico, sem deformar ou tornar menos real as
fihuras, antes lhes dando um todo belo, mais
harmônico e sensíve, sem atingir a
sobrenaturalidade ou o
irrealismo.
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Máscaras Macondes - Um
Mapico em Mueda Batuques e
Mapicos |
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BAILADO
GUERREIRO
Gestos que parecem descoordenados, não
obstante retratarem com fidelidade os movimentos
febrilmente ritmados, aparentemente desconexos
das danças macondes, que têm lugar durante os
mapicos junto das sanzalas. Movimentos
verdadeiramente musicais pela perfeita
correspondência com os sons da orquesta.Quase
pode afirmar-se que não há notas misicais, sem
igual correspondência de gestos, desde os mais
suaves, ondulantes, menos perceptíveis, os mais
rápidos, lançados ou
salteados. Os braços desenham no ar sucessivas
linhas quebradas, correspondentes às partes
compreendidas entre as articulações do ombro,
cotovelo e pulso. Parecem escrever e marcar
compassos musicais. As esculturas são ricas na
representação destes movimentos de dança de que
as nossas, as modernas, são, muitas vezes,
apagada ou esbatida cópia.
Fontes: A arte em
Moçambique - Alberto F.M.Pereira - 1966 Os
Macondes de Moçambique - Jorge
Dias In -
"Moçambique
Arquivo Vivo" -
grupo do MSN criado-gerido por J. M. Mesquitela
& Amigos.
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