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Santa Casa da Misericórdia da Régua foi criada em Fevereiro de 1928.
Ao longo dos tempos viveu fases de grandes carências, mas nos últimos anos
cresceu a olhos vistos e atualmente possui uma série de serviços bem
organizados e que respondem a praticamente todas as necessidades dos que
procuram a sua ajuda.
Gente de todas as idades vem a esta casa em busca de solidariedade e companhia ou para viver em tranqüilidade os dias que lhe restam.
A Santa Casa da Misericórdia possui um centro infantil, freqüentado por 35 crianças dos três meses aos três anos, e um centro de educação pré-escolar com 75 crianças, entre os três e os seis anos. Para além disso, tem ainda salas de apoio ao ensino básico frequentadas por 64 crianças.
A Santa Casa da Misericórdia da Régua alberga, em regime de internato, cerca de 30 jovens com idades compreendidas entre os dois e os 33 anos. A maior parte delas cresceram aqui. Têm uma vida igual a todas as outras jovens e frequentam a escola. João Pereira, provedor desta casa, afirma que "há duas jovens a frequentar cursos superiores e todas elas, desde que o seu comportamento e a sua capacidade o permitam, vão ter essa
oportunidade" .
SOLIDARIEDADE E LIBERDADE - À partida, a Santa Casa da Misericórdia alberga os jovens até aos 18 anos. Depois, a maior parte delas arranja emprego ou casa-se e segue o seu rumo. De vez em quando regressam para fazer umavisita, recordar velhos tempos e partilhar memórias com a nova família.
No caso de terem dificuldades, as jovens podem continuar a contar com o apoio desta casa.
João Pereira afirma que todas as jovens que vivem na Santa Casa da Misericórdia da Régua estão integradas na sociedade reguense, apesar de uma grande parte delas virem de outras terras, "talvez porque não há na região instituições deste género e porque esta casa já adquiriu um estatuto especial. Toda a gente reconhece a capacidade desta casa na educação e no acompanhamento das jovens", diz João Pereira. Na Santa
Casa da Misericórdia da Régua, as jovens têm liberdade para participar em atividades desportivas e culturais noutras instituições e associações da cidade, "para que sintam e saibam que são iguais a todas as outras". Algumas praticam voleibol no Clube de Caça e Pesca, outras praticam dança e algumas estão integradas em grupos da igreja. "No dia 24 de Julho (1999) estiveram todas no estádio Nacional a ajudar a compor o logotipo humano de candidatura de Portugal ao Europeu
2004", conta João Pereira.
UM OMBRO AMIGO - Dentro de casa, todas estas jovens têm o apoio e a ajuda que necessitam, tanto nos estudos como na sua vida pessoal. Ao fim da tarde uma explicadora dedica-se a tirar as dúvidas que ficaram daquele dia de escola, para que todas tenham sucesso nos estudos. E no provedor, sabem que têm um ombro amigo para pôr questões e pedir conselhos sobre tudo. João
Pereira está, atualmente, empenhado em conseguir o apoio técnico de uma psicóloga para estas jovens, porque, afirma: "estão na idade da rebeldia, que é perfeitamente natural, e queremos dar-lhes o acompanhamento que merecem se precisarem". Mas orgulha-se do fato de as jovens da Santa Casa da Misericórdia da Régua, rebeldes ou não, terem um comportamento exemplar e nunca terem criado problemas graves.
UM ESTÍMULO PARA OS IDOSOS - Os idosos têm na Santa casa da Misericórdia um abrigo e um estímulo a uma vida útil e saudável. Em regime de internato vivem aqui atualmente 60 idosos e freqüentam o Centro de Dia 10.
A lotação está esgotada, como acontece nas restantes faixas etárias, e há uma lista de espera de mais de 100 idosos para serem acolhidos por esta casa. Aqui, a ocupação dos tempos livres dos idosos está garantida. A maior parte das mulheres dedica-se à execução de rendas e bordados, há quem tenha uma
paixão e um talento especial para artesanato e há quem goste de trabalhar e cultivar a terra. Os trabalhos que produzem são exibidos e vendidos em diversas exposições na cidade, para ajudar a pagar as excursões que realizam.
Já foram a Fátima, a S Salvador do Mundo, à Senhora da Lapa e deram um passeio de barco com o apoio do Instituto de Navegabilidade do Douro e da Câmara Municipal. "É uma forma de sentirem que estão capazes e que podem ser úteis", diz João Pereira.
Muitos destes idosos também ocupam os tempos livres em passeios pela cidade e regressam à hora das refeições. Deste modo, mantêm-se integrados na sociedade e preservam os amigos.
CENTRO RENAL - Nos últimos anos, a Santa Casa da Misericórdia da Régua melhorou as suas instalações e os seus serviços. Várias obras foram levadas a cabo com o apoio da Segurança Social, nomeadamente a criação do lar de idosos e a melhoria das condições da sede. Algumas ações legadas por D. Antónia Adelaide Ferreira, conhecida como a "Ferreirinha" e que foi a grande
benemérita desta casa, também contribuiram para o investimento.
Para além disso foi ainda construido um prédio de rendimento com dois pisos. No primeiro estão habitações alugadas a casais de idosos com maiores possibilidades financeiras. No rés-do-chão, a Santa casa da Misericórdia fundou um centro renal, inaugurado em Junho passado (1999). "Entendemos que a nossa função não se deve limitar ao apoio a jovens e idosos, mas também aos carenciados em termos de saúde" , explica
João Pereira. Por enquanto, o centro renal está a funcionar parcialmente e apenas com doentes da região de Viseu., mas brevemente a população do distrito de Vila Real vai poder contar com este Centro para os seus tratamentos.
MELHORES CONDIÇÕES - Para os próximos tempos, a Santa casa da Misericórdia da Régua tem projetos cujo objetivo é a melhoria crescente das condições de trabalho e de quem aqui vive. Para as crianças está em vista a contratação de um animador desportivo e cultural, a construção de um parque infantil coberto no espaço exterior da casa e a criação de campos de mini-basquete,
voleibol e andebol. Além disso, está em projeto a criação de uma biblioteca. Mas os projetos vão mais longe. Um dos edifícios desta casa, contíguo à sede, está a beneficiar da remodelação de todo o seu interior, com vista a melhorar as instalações. João Pereira explica que o edifício "já está velho e além disso as jovens internas, ali alojadas, não tinham privacidade, dormiam em quartos de oito". Quando as obras estiverem terminadas,
vai haver um quarto para cada duas jovens, com casa-de-banho privativa, aquecimento e ar-condicionado. Com a remodelação deste edifício vão ser melhoradas também as instalações da secretaria, lavanderia, salão nobre, gabinete da provedoria, cozinha e sala de jantar.
Com o apoio do Instituto do Emprego e da Formação Profissional de Vila Real foi possível arrancar com uma ação destinada a auxiliares de educação das crianças. O primeiro módulo já se concluiu e está agora a decorrer outro até Junho do ano 2000. Estão 15 funcionários da Santa Casa da Misericórdia e cinco de outras instituições amigas e vizinhas a freqüentar esta ação de formação. Posteriormente, vai
arrancar um outro módulo para as funcionárias que lidam com os idosos.
In Villa Regula de Dezembro de 1999 - Texto de Olga Magalhães
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Nota- Face ao tempo passado desde a publicação desta reportagem, fatos, datas, pessoas e acontecimentos poderão
ter-se sucedido e alterado. Assim pedimos vosso entendimento , porque o importante é levar ao mundo que a Régua,
além do Marão, do vinho, do rio Douro, de suas belezas geográficas e seu povo trabalhador e
hospitaleiro, também sabe educar e respeitar as crianças menos favorecidas e acolher e minimizar a solidão de seus idosos. Bem hajam
todos que exercem alguma função na Santa Casa da Misericordia da Régua.
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J. Luis Gabão |