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Fernando
Guichard começou a pintar aos seis anos, quase por obrigação, ainda que
tivesse gosto e o
talento tivesse despontado
muito cedo.
A avó e a mãe, que também pintavam, descobriram-lhe o jeito e insistiram para que o aperfeiçoasse
desde muito cedo. "Quando se nasce com
um dom, ele vem sempre ao de cima", diz.
Anos mais tarde, Fernando Guichard foi estudar para a faculdade de Belas-Artes do Porto,
onde começou por freqüentar o curso de
pintura, com Júlio Resende como professor. Algum tempo depois, passou para o
curso de escultura e foi aluno de outro grande nome das artes plásticas:o escultor
Barata-Feyo.
A meio da vida universitária, Fernando Guichard foi chamado para a tropa e durante quatro anos a
sua vida foi na Guiné, longe das
aguarelas e dos pincéis. Quando regressou, decidiu deixar a faculdade: "cheguei à conclusão que não andava a aprender
nada!", afirma.
Na época, a banca oferecia postos de trabalho bem remunerados e com uma grande estabilidade,
por isso tornou-se a melhor opção profissional para Fernando Guichard, ainda que essa não fosse
a sua paixão.
"Nunca tive afinidade nenhuma com a banca, até porque sempre disse que nunca na vida
haveria de estar sentado a uma secretária", conta Guichard. Por isso, ao
chegar a casa depois de um dia de trabalho no banco, os pincéis e as aguarelas
foram sempre a companhia preferida.
A aguarela é a técnica mais usada por Guichard, mas, de vez em quando, também utiliza
tinta-da-China. "Prefiro pintar com aguarela porque é uma técnica que exige mais rapidez, o que se
começar tem de se acabar o mais depressa possível, não há interrupções nem pode haver erros",
explica o pintor. E como sempre foi "um apressado" e nunca gostou de ficar muito tempo a trabalhar
no mesmo quadro,
encontrou na aguarela a técnica ideal para a sua forma de ser e de estar.
A primeira exposição aconteceu em 1985, quando Fernando Guichard integrou a III Bienal de Pintura,
que teve lugar na Régua e foi promovida pela Associação Cultural do Alto Douro. A partir de então,
seguiu-se uma série de exposições individuais....No total, já foram cerca de meia centena de
exposições realizadas em todo o país e em Espanha, Espinho, Ovar, Guimarães, Covilhã, Viseu,
Chaves, Mirandela, Bragança, Zamora, Lisboa e Tomar
são apenas algumas das cidades que já tiveram o privilégio de apresentar as aguarelas deste artista nascido na Régua.
Para Fernado Guichard a pintura é uma forma de ocupar o tempo, mas acima de tudo, uma grande
paixão. Agora, que está reformado da profissão de bancário, tem o tempo todo para estar entre os
pincéis e as aguarelas, inspirado pela música clássica, na tranquilidade do seu atelier improvisado em
casa. A paisagem urbana é o que mais cativa Fernando Guichard: "sou um fanático pelo património e
gosto muito de o pintar. É pena que o património da região esteja tão degradado". Por isso, Fernando
Guichard acredita que os seus quadros podem ser um grito de alerta para as pessoas no sentido da
necessidade de conservar e valorizar o património.
Lamego, Guimarães e Viseu são as cidades preferidas para as suas
aguarelas, mas por todo o país muitas vilas e cidades apaixonaram
Fernando Guichard e foram retratadas
por ele.
Onde houver madeira, ferro e granito, há de certeza motivo para pintar mais uma aguarela, porque são os materiais que Fernando Guichard mais gosta de retratar.
No caso da Régua, o que inspira Fernando
Guichard não é propriamente o
património arquitectónico,
mas antes a
paisagem magnífica que envolve
a
cidade: "o património aqui é muito pobre,
mas há o
rio Douro e os socalcos, que são lindíssimos", explica.
Mesmo assim, garante que já pintou
a Régua em todas as suas formas e vista de todos os ângulos possíveis.
Para o artista ha três lugares de onde a Régua é mais bonita: de Loureiro, de
Valdigem e da Serra das Meadas.
Mas apesar de tudo, Fernando Guichard diz que gosta da sua cidade e que não se imagina noutro
lugar.
In Villa Regula de
Março de 2001- texto de D. Olga Magalhães |